quarta-feira, 23 de novembro de 2011



“Não sei, até hoje não sei se o príncipe era um deles. Eu não podia saber, ele não falava. E, depois, ele não veio mais. Eu dava um cavalo branco para ele, uma espada, dava um castelo e bruxas para ele matar, dava todas essas coisas e mais as que ele pedisse, fazia com a areia, com o sal, com as folhas dos coqueiros, com as cascas dos cocos, até com a minha carne eu construía um cavalo branco para aquele príncipe. Mas ele não queria, acho que ele não queria, e eu não tive tempo de dizer que quando a gente precisa que alguém fique a gente constrói qualquer coisa, até um castelo.”


(Caio Fernando Abreu)


O pescoço tinha delícias ocultas, assim mesmo, bem devagar, de-li-ci-as-o-cul-tas, e neste momento o disco acabou e as palavras ficaram ressoando meio libidinosas no ar.


Caio F. Abreu




No fundo, há só uma verdade: me sinto só.



Caio F Abreu


Primeira estrela que vejo,
lembrei,
realiza o meu desejo.
Pedi sete vezes em voz alta,
não havia ninguém por perto para olhar e talvez rir.
Força e fé, que tinha perdido, eu pedi.

Caio Fernando Abreu


Andei pensando nesses extremos da paixão, quando te amo tanto e tão além do meu ego que - se você não me ama: eu enlouqueço, eu me suicido com heroína ou eu mato o presidente. Me veio um fundo desprezo pela minha/nossa dor mediana, pela minha/nossa rejeição amorosa desempenhando papéis tipo sou-forte-seguro-essa-sou-mais-eu. Que imensa miséria o grande amor - depois do não, depois do fim - reduzir-se a duas ou três frases frias ou sarcásticas. Num bar qualquer, numa esquina da vida.


Caio Fernando Abreu


Como é que a gente vai explicar pra uma pessoa que qualquer coisa pode ser de verdade, é só a gente acreditar nela?"

Caio Fernando Abreu


Quem dera eu aprendesse a viver cada dia como se fosse o último. O último para dizer “obrigada”. O último para dizer “me desculpa”. O último para dizer “eu te amo”. O último para abraçar cada pessoa amada com aquele abraço bom que faz um coração cantar para o outro. O último para apreciar a vida com o entusiasmo que não guarda nenhuma delícia nem ternura pra depois. O último para fazer as pazes. Para desfazer enganos. Para saborear com calma, como se me servissem um banquete, a preciosidade genuína que cada único respiro humano representa.


Ana Jácomo

segunda-feira, 21 de novembro de 2011


"(...) quis beber mais para chorar baixinho repetindo eu não mereço eu não mereço não me deram chance alguma a culpa não foi minha sempre a mesma solidão eu devia estar acostumado eu só queria e era tão simples, muitas vezes."


(Caio Fernando Abreu - Pela Noite - Triângulo das Águas)