sábado, 17 de março de 2012



Eu quero guardar teu beijo
Na concha das mãos
Teu cheiro eu levo feito mancha na roupa
Que eu não lavo não...


Sou alvo pros teus olhos claros parecidos
Com essa estação
E adoro os efeitos sonoros de quando você sussura
Absurdos no ouvido do meu coração ...


Se eu corro
Eu corro demais so pra te ver meu bem
É que eu quero um socorro
Se eu corro ...


Se Eu Corro - A Banda Mais Bonita da Cidade




Nunca, diga não pra mim
Eu não vou poder trabalhar, conversar, descansar sem o teu sim
Seja sempre assim
Por favor me dê um sinal
Um cartão postal, um aval dizendo assim ...



'Não, não é o fim, dure o tempo que você gostar de mim
Entre o não e o sim, só me deixe quando
o lado bom for menor do que o ruim' ...



Nunca se esconda assim
Eu não vou saber te falar, te explicar que
Eu também me assusto muito
Você nunca vê que eu sou só um menino destes tais
Que pensam demais
Logo mais, vou correr atrás de ti. 


'Não, não é o fim, dure o tempo que você gostar de mim
Entre o não e o sim, só me deixe quando
O lado bom for menor do que o ruim' 

Nunca - A Banda Mais Bonita da Cidade

quinta-feira, 15 de março de 2012


 

Hoje é um daqueles dias que sinto em meu coração uma liberdade aprisionada. Sinto um ímpeto de pássaro na gaiola, cuja porta sempre esteve aberta. Pés na porta e olhos para dentro. Olho e fico com uma vaga vontade de girar, girar e girar, até ficar tonto e cair no chão extasiado, como eu fazia quando menino. Em cada giro um sonho perdido. 

Dal Hofmann

quarta-feira, 14 de março de 2012


"Até que você apareceu, iluminando minha vida, tal como um prisma atravessado por um raio de sol."

(Eleanor H. Porter em: Poliana)


"Preciso voltar e olhar de novo aqueles dois quartos vazios."

(Ana Cristina Cesar em: A teus pés) 




"No entanto, do fundo do coração te agradeço o desespero que me causas, e detesto a tranqüilidade em que vivi antes de te conhecer."

(Sóror Mariana Alcoforado: Cartas Portuguesas)






sexta-feira, 9 de março de 2012


Por trás da palma da mão contra o peito, por trás do pano da camisa entre massas de carne entremeadas de músculos, nervos, gorduras, veias, ossos, o coração batia disparado. Você vai me abandonar – repetiu sem som, a boca movendo-se muito perto do fone – e eu nada posso fazer para impedir. Você é meu único laço, cordão umbilical, ponte entre o aqui de dentro e o lá de fora. Te vejo perdendo-se todos os dias entre essas coisas vivas onde não estou. Tenho medo de, dia após dia, cada vez mais não estar no que você vê.

 — Caio Fernando Abreu.


Ficou de pé ao lado dele. Mas era como se não o conhecesse mais. 

— Caio Fernando Abreu.

De onde vem essa iluminação que chamam de amor , e logo depois se contorce, se enleia, se turva toda e ofusca e apaga e acende feito um fio de contato defeituoso, sem nunca voltar àquela primeira iluminação? 

— Caio Fernando Abreu.

Mas não se pode agir assim […] Uma pessoa não é um doce que você enjoa, empurra o prato, não quero mais. 

— Caio Fernando Abreu.

Foi então que ele sentou perto de mim. As mãos sustentavam a cabeça. A posição devia ser incômoda, o corpo apoiado em meio sobre o assoalho, a cabeça no ar, os pés no ar. Eu tremia? Não. Sentia minhas próprias unhas furando as palmas das mãos, mas meu corpo estava seguro, em riste. O primeiro toque foi dele. As mãos comprimiram minhas pernas. Depois, uma das mãos libertou-se avançando em forma de ternura. Nos seus cabelos, as minhas mãos iam e vinham, adivinhando a tessitura. Era noite, ainda. O ritual já fora cumprido. Puxou-me para si, os nossos corpos opostos no assoalho, duas lanças apontando uma para a outra. E de repente nos ferimos. Com a boca. Senti seus lábios nos meus, os dentes se chocando, as mãos que seguravam meu rosto, investigavam meus traços, eu nascia por dentro, quase gritava, tentávamos desvendar um ao outro, mas não íamos além da tentativa, que já se fazia angústia em suas mãos como espinhos, subindo por meu corpo inteiro, busca tensa. Não, não era amor, não foi amor. Tudo explodia num plano muito mais alto, muito mais intenso. Nos desvendávamos com a fúria dos que antecipadamente sabem que não vão conseguir jamais. 

— Caio Fernando Abreu.