sábado, 27 de julho de 2013






Neste mundo não há saída:
 há os que assistem, entediados, 
ao tempo passar da janela,
e há os afoitos,
 que agarram a vida pelos colarinhos.
Carimbada de hematomas,
 reconheço, sou do segundo time.


[Trecho do livro "Uma Vida Inventada", de Maitê Proença]




"Leve com você apenas o que combina e cabe na sua nova etapa de vida."



(Faxina Geral, Martha Medeiros)






Deus é leve e ri. 


(R. Niebuhr - Frase citada por Rubem Alves no livro Espiritualidade , pág 91)





“…e o que foi a vida? Uma aventura obscena, de tão lúcida”

(Hilda Hilst,  em "A Obscena senhora D" )




Derrubei todas as minhas paredes 
pra dar lugar a mais janelas.
Quero que meus olhos alcancem além do que há aqui.

É muita luz pra pouco cômodo.
E eu sofro com o (in)comodo 
Desse espaço que faz falta em mim!

[Fernanda Gaona] 




DESEJO é Outro. Voragem que me habita.


[Hilda Hilst, Obra Poética Reunida - Do desejo]



"Eu amo Aquele que caminha
Antes do meu passo.
É Deus e resiste" [...]

Hilda Hilst, 'Cantares de Perda e Predileção' [1983]


"Te amei sonâmbula, 

esdrúxula,

mas te amei inteira.”


[Hilda Hilst, in Poemas Malditos, Gozosos e Devotos]



“Como eu gostaria de arrancar a minha pele sem medo 

e mostrar

o meu todo para o outro.”


[ Hilda Hilst, Fluxo Poema]




terça-feira, 5 de março de 2013








A vida sem freio me leva, me arrasta, me cega
No momento em que eu queria ver
o segundo que antecede o beijo...♪

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013


— Mag, quero transar.
— Ah, sério Slutt? Agora me diz quando você não quer transar.
— Não, agora eu quero. Transa comigo? — sorri pra ela e o queixo dela caiu.
— Não. — foi uma resposta pergunta.
— Mag, sério, bora fazer amor?
— Slutt! — deu um soco no meu peito e eu abracei ela.
— Deixa eu te comer, Maggiezinha.
— Sexo tem que ter amor.
— Ah não, você não cola com esse papo.
Ela riu. — Foda-se o amor Slutt. Sua proposta é tentadora, mas não. — balançou o indicador pra lá e pra cá e mordeu a boca.
— Não morde a boca, sua filha da puta.
— Tá ficando excitadinho, tá Slutt? — ela virou e rebolou. E saiu rindo.
Puxei o braço dela. —Vou te estuprar, Maggie.
— Uh, que medo de você babacão.
Coloquei os dedos nas têmporas. — Respira Slutt.
— Respira Slutt, respira pra você não comer a Maggiezinha. Respira Slutt. — ela me imitou levantando às mãos e falando com voz de puta, depois mordeu a boca mais uma vez.
— Maggie! — a repreendi. Ela ficou me olhando como quem não tivesse nem ai. — Quero apostar uma coisa com você.
— O quê?
— Que em três meses você vai se apaixonar por mim se eu for o príncipe e não o sapo. 
— Slutt, querido. Não me apaixono por príncipes nem por sapos. Você é sapo pra porra, feio e retardado e não conseguiu nada comigo, não vai ser você tentando ser fofo que vai conseguir. 
— Apostado então?
— Claro! — ela gargalhou.
— Se eu ganhar tu trepa comigo, firmeza?
— Firmeza, e se eu ganhar tu vai ter que sair correndo pelado na escola.
— Agora o trabalho vai ser mais intenso, Maggie. — ri.
— Vou preparar a câmera pra filmar.
— Vou pegar as camisinhas.

Slutt e Mag 



“ Espero alguém que não tenha medo do escândalo, mas tenha medo da indiferença. Espero alguém que ponha bilhetinhos dentro daqueles livros que vou ler até o fim. Espero alguém que nunca abandone a conversa quando não sei mais falar. Espero alguém que, nos jantares entre os amigos, dispute comigo para contar primeiro como nos conhecemos. Espero alguém que prove que amar não é contrato, que o amor não termina com nossos erros. Espero alguém que não se irrite com a minha ansiedade. Espero alguém que arrume ingressos de teatro de repente, que me sequestre ao cinema, que cheire meu corpo suado como se ainda fosse perfume. Espero alguém que não largue as mãos dadas nem para coçar o rosto. Espero alguém que me olhe demoradamente quando estou distraído, que me telefone para narrar como foi seu dia. Espero alguém que procure um espaço acolchoado em meu peito. Espero alguém que leia uma notícia, veja que haverá um show de minha banda predileta, e corra para me adiantar por e-mail. Espero alguém que fique me chamando para dormir, que fique me chamando para despertar, que não precise me chamar para amar. Espero alguém com uma vocação pela metade, uma frustração antiga, um desejo de ser algo que não se cumpriu, uma melancolia discreta, para nunca ser prepotente. Espero alguém que comente sua dor com respeito e ouça minha dor com interesse. Espero alguém que pinte o muro onde passo, que não se perturbe com o que as pessoas pensam a nosso respeito. Espero alguém que vire cínico no desespero e doce na tristeza. Espero alguém que curta o domingo em casa, acordar tarde e andar de chinelos, e que me pergunte o tempo antes de olhar para as janelas." 

Carpinejar