sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

 

Se não dormisse cedo nem estivesse quase sempre cansado, 
acho que esses pensamentos quase doeriam e fariam clack! 
de madrugada e eu me veria catando cacos de vidro entre os lençóis.
Brilham, na palma da minha mão. Num deles, tem uma borboleta de asa rasgada.
Noutro, um barco confundido com a linha do horizonte, onde também tem uma ilha.
Não, não: acho que a ilha mora num caquinho só dela. Noutro, um punhal de jade. 
Coisas assim, algumas ferem, mesmo essas que são bonitas. Parecem filme, livro, quadro.
Não doem porque não ameaçam. Nada que eu penso de você ameaça. Durmo cedo, nunca quebra.

Caio Fernando Abreu

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011



"Por trás do meu adeus tem um “quero ficar”. Por trás do meu vá embora tem um “fica aqui”. Por trás do meu te odeio tem um “eu te amo” e por trás da palavra amor está seu nome bordado de estrelas."

Caio Augusto Leite



"Meus amigos são todos assim: metade loucura, outra metade santidade. Escolho-os não pela pele, mas pela pupila, que tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos, nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice. Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto, e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou, pois vendo-os loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a normalidade é uma ilusão imbecil e estéril"

____Fernando Pessoa


Ela gostava quando, depois de muito tempo calada, ele pegava no seu queixo perguntando ― o que foi, guria? Ele gostava quando ela dizia sabe, nunca tive um papo com outro cara assim que nem tenho com você. Ela gostava quando ele dizia gozado, você parece uma pessoa que eu conheço há muito tempo. E de quando ele falava calma, você tá tensa, vem cá, e a abraçava e a fazia deitar a cabeça no ombro dele para olhar longe, no horizonte do mar, até que tudo passasse, e tudo passava assim desse jeito. Ele gostava tanto quando ela passava as mãos nos cabelos da nuca dele, aqueles meio crespos, e dizia bobo, você não passa de um menino bobo.

__Caio Fernando Abreu



Tenho saudades dele. Uma chaminha de reter quer voltar. Um gelinho de doer quer voltar. Mas solto, deixo, vai, apago, derreto. As coisas são como são. Além do que, uma vida pela frente vai me dizer. Na hora certa.


Tati Bernardi

Eu indo embora para casa, segurei o peito, que parecia solto, e abafei uma lágrima. Como eu queria agora estar com ele.

Tati Bernardi



Depois de pedir muito para Deus ‘alguém’, agora eu peço ao contrário.
Porque não vale à pena, não compensa.
Porque tem pessoas que não valem à pena.
E insisto, dai-me forças Senhor, dai-me fé.
Que seja doce agora, que seja!

— Caio Fernando Abreu.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011


Que as perdas sejam medidas em milímetros e que todo ganho não possa ser medido por fita métrica nem contado em reais. Que minha bolsa esteja cheia de papéis coloridos e desenhados à giz de cera pelo anjo que mora comigo. Que as relações criadas sejam honestamente mantidas e seladas com abraços longos. E que seja doce tudo que tiver que ser.


Caio Fernando Abreu



E - de repente - senti. Estava tudo muito bonito. Esse mês de Dezembro tá tão lindo, tão manso. Tão novo. Tão eu novo.

Caio Fernando Abreu

"Alguém me ensina a pensar menos nele? Alguém me ensina a não repetir centenas de vezes a mesma cena na cabeça? E não fazer dessas lembranças o meu maior martírio? Porque dói, dói muito pensar que há pouco tempo eu estive inteira com ele e o deixei partir."




Eles...

A pior coisa do mundo é quando alguém faz você se sentir especial, e de repente, te deixa de lado. E aí você tem que agir como se não se importasse.(CFA)

Eu preciso sentir que você ainda sente, eu preciso que o seu coração dê um choque no meu.(Tati Bernardi)

Sobretudo, não se angustie procurando-o: ele vem até você, quando você e ele estiverem prontos.(Caio Fernando Abreu)

Quem procura não acha. É preciso estar distraído e não esperando absolutamente nada. Não há nada a ser esperado. Nem desesperado. (Caio F. Abreu)

Eu te amo. Mesmo negando. Mesmo deixando você ir. Mesmo não te pedindo pra ficar. Mesmo não olhando mais nos teus olhos. Mesmo não ouvindo a tua voz. Mesmo não fazendo mais parte dos teus dias. Mesmo estando longe, eu te amo. E amo mesmo. Mesmo não sabendo amar.(Caio Fernando Abreu)

- Você tá com frio?- Não, eu tô tremendo porque gosto tanto de você (Tati Bernardi)

Ô minha filha, as suas dores não são as maiores do mundo e nem vão ser. Sacode a poeira. Toma um banho de rio. Abre essas asas. Grita alto, chora baixo. Pula alto e cai de cara. Desenha toda a beleza do mundo. Compra uma caixa de lápis de cor e sai aí colorindo a vida. (Tati Bernardi)

E quem tem Deus no coração sabe que não a mal que vingue, nem inveja que maltrate, nem inimigos. Por que pra todo mal, há cura.(Caio Fernando Abreu)

Que eu não me perca, que eu não me fira, que não me firam, que eu não fira ninguém.
É como se mil pessoas se importassem com você, menos uma. E, de alguma forma, era a única que você necessitava que se importasse.(Caio Fernando Abreu)

“Isso tudo nunca foi pra mim nunca funcionou, é sempre eu que caio, de amores, ilusões, dores e no final de tudo eu fico aqui, esperando esse trem, pra me levar para a próxima estação, onde eu possa finalmente criar uma nova ficção na minha cabeça, uma nova atração para os meus olhos, uma nova paixão pro coração, e quem sabe, um final pra este roteiro.” -

 (Caio Fernando Abreu.)

Ela é estranha. Tem olhos hipnóticos. E a gente sente que ela não espera mais nada de nada nem de ninguém, que está absolutamente sozinha e numa altura tal que ninguém jamais conseguiria alcançá-la.
Caio Fernando Abreu)